Problemas do Limoeiro
O limoeiro (Citrus limon) é uma das árvores de fruto mais gratas que pode ter em vaso ou no jardim, mas também uma das mais expressivas: as suas folhas avisam de tudo o que não gosta, e quase sempre com o mesmo sintoma, o amarelecimento. A chave está em observar que folhas ficam amarelas e como, porque cada padrão aponta para uma causa diferente. Aqui ficam os problemas mais comuns do limoeiro e como solucioná-los.
Limoeiro com folhas amarelas

É o problema número um do limoeiro, e tem várias causas possíveis. A boa notícia é que se distinguem bastante bem observando os detalhes.
As folhas velhas ou as novas ficam amarelas?
Se as folhas velhas amarelecem primeiro, geralmente é falta de azoto: a planta retira o nutriente das folhas antigas para o dar aos rebentos novos. Se as folhas jovens com nervuras verdes ficarem amarelas, formando uma rede, é clorose férrica: há ferro no solo, mas o pH elevado bloqueia-o e a planta não consegue absorvê-lo. É o mais comum em muitas zonas de Portugal, onde a água é muito calcária.
Pode ser a rega e não uma deficiência?
Sim, e é muito frequente. O excesso de água apodrece a raiz e deixa-a sem oxigénio, e o resultado também são folhas amarelas. A falta de água prolongada produz o mesmo, acompanhada de queda de folha. Verifique o substrato antes de decidir: se demorar dias a secar, há excesso de rega.
Solução: corrigir o pH e fornecer ferro assimilável
Regue com água da chuva ou repousada 24 horas se a sua for dura, e adube na primavera e verão. Para recuperar o verde rapidamente, um tratamento foliar fornece o ferro, o magnésio e os micronutrientes de forma que a planta consegue absorver enquanto a raiz se recupera.
Folhas enrugadas, retorcidas ou deformadas

Quando as folhas novas nascem encolhidas, retorcidas ou com as bordas onduladas, quase sempre há alguém a comer antes que a folha termine de se formar.
Como sei se é pulgão ou o minador?
É a distinção chave. O pulgão agrupa-se no rebento tenro, vê-se a olho nu e deixa a folha pegajosa devido à melada. O minador dos citrinos não se vê: é uma larva que escava galerias sinuosas e prateadas dentro da própria folha, como caminhos de tinta clara, e a folha enrola-se sobre si mesma. Se vir essas galerias, é minador com certeza.
O que faço com o minador?
Em infestações leves, pode e retire as folhas afetadas para reduzir a população. Mantenha a árvore bem regada e nutrida, porque um limoeiro forte sofre muito menos, e evite adubar em excesso com azoto, que provoca o crescimento de rebentos tenros justamente quando o minador está ativo. O dano é sobretudo estético em árvores adultas.
E se não houver insetos nem galerias?
Então desconfie do vírus da tristeza dos citrinos, que deforma e retorce a folha e é transmitido pelo pulgão ao alimentar-se. Não tem tratamento: controla-se combatendo o pulgão e desinfetando as tesouras entre plantas para não o propagar.
Ao limoeiro caem as folhas
A queda de folha é uma reação de stress, e o limoeiro usa-a para quase tudo. Convém descartar por ordem.
É a rega?
O mais provável. Tanto o excesso como a falta provocam defoliação, por isso toque no substrato antes de reagir: húmido e com folhas a cair aponta para raiz danificada; seco e com folhas a cair, para sede. Em vaso a margem é mais estreita do que no solo.
Pode ser o clima?
Sim. As mudanças bruscas de temperatura, o vento forte e o sol intenso prolongado causam stress, e a árvore responde soltando folhas. É muito típico após um transplante ou ao mudá-la de lugar.
Solução: drenagem e estabilidade
Certifique-se de que o vaso drena bem e não deixe água no prato. Se houver antracnose ou phytophthora, que mancham a folha antes de a derrubar, trate assim que vir os primeiros sintomas com chorume de urtigas ou cavalinha.
Folhas pretas e pegajosas: a fumagina
Se as folhas ficam cobertas por uma camada preta que quase se pode raspar e tudo está pegajoso, isso é fumagina. E o importante não é o fungo: é o que ele está a avisar.
De onde vem a fumagina?
Cresce sobre a melada açucarada que pulgões, cochonilhas e mosca branca libertam ao alimentar-se. O fungo não penetra no tecido da planta, mas cobre a folha e impede-a de fazer a fotossíntese, enfraquecendo-a igualmente.
Solução: remover a causa, não a mancha
Trate a praga que a produz com sabão potássico e, quando os insetos desaparecerem, a melada deixa de ser produzida: limpe então as folhas com um pano húmido e a fumagina desaparece sozinha. Mantenha também a base da árvore limpa de restos vegetais, que é onde se refugiam.
Pragas do limoeiro: pulgão, cochonilha, aranha-vermelha e mosca branca
Os citrinos são um íman para os insetos sugadores, especialmente quando brotam novos rebentos na primavera. Estas quatro são as habituais.
Como distingo cada uma?
O pulgão agrupa-se nos rebentos novos, em colónias verdes ou pretas bem visíveis. A cochonilha adere a ramos e ao avesso das folhas como algodões brancos ou escamas acastanhadas que não se movem. A aranha-vermelha mal se vê: deixa pontuações muito finas e teias de aranha, e aparece com calor seco. A mosca branca levanta voo em nuvem assim que se mexe um ramo. As quatro deixam melada, por isso a fumagina costuma acompanhá-las.
Solução: sabão potássico e constância
Pulverize sabão potássico a cada 5 ou 7 dias até cortar o ciclo, molhando muito bem o avesso das folhas, e aplique-o na primeira ou última hora do dia, nunca em pleno sol. É ecológico e sem prazo de segurança, algo importante numa árvore de que se vai consumir a fruta. Se estiver no exterior e as formigas subirem, polvilhe terra de diatomáceas à volta do pé: as formigas protegem o pulgão e convém cortar-lhes o caminho.
Doenças do limoeiro
Além dos fungos foliares, existem duas doenças próprias dos citrinos que convém conhecer, embora afetem sobretudo árvores de campo.
O que é a gomose?
Uma doença do tronco: a casca exuda uma goma âmbar e acaba por rachar, quase sempre por excesso de humidade na base ou por ter enterrado o colo da árvore ao plantá-la. Previne-se plantando à altura correta e evitando que a rega molhe diretamente o tronco.
E a exocortis?
Provoca o desprendimento da casca no tronco e ramos e trava o crescimento. Transmite-se por ferramentas contaminadas, por isso a prevenção é simples: desinfete as tesouras entre árvore e árvore, sobretudo se podar várias seguidas.
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