Se chegaste até aqui é porque tens uma varanda, um terraço ou um jardim que recebe sol direto durante boa parte do dia e não sabes o que colocar lá sem que se queime. Estas são 5 plantas que aguentam o sol direto, com os seus cuidados reais e a sua toxicidade para animais de estimação.
De que necessitam as plantas da luz solar?
Nós precisamos de comida para viver; para uma planta, a luz é parte da sua comida. Precisa dela para a fotossíntese, o processo que converte a energia luminosa em energia química sob a forma de açúcares. Com esses açúcares cresce, cria folhas e floresce.
Que diferença existe entre qualidade e quantidade de luz?
São duas coisas distintas e convém não as misturar:
- Qualidade (a cor): o espectro da luz que recebe. A luz solar é completa; a de uma lâmpada doméstica comum, não. Influencia sobretudo a forma de crescer, a compacidade e a floração.
- Quantidade (a intensidade e as horas): quanta luz chega e durante quanto tempo. É o que faz a diferença entre uma planta que «aguenta o sol» e uma que se queima.
O que significa «pleno sol» e como habituar uma planta?
Por convenção, pleno sol são 6 ou mais horas de sol direto por dia; meia-sombra, entre 3 e 6; e sombra, menos de 3. Que uma planta tolere pleno sol não significa que o tolere de repente.
Este é o erro mais comum: levar para a varanda em pleno julho uma planta que vive em interior ou que vem de viveiro com sombra. As queimaduras aparecem como manchas esbranquiçadas ou acastanhadas, secas, e não recuperam. A solução é aclimatá-la pouco a pouco: começa com uma ou duas horas de sol da manhã e vai aumentando ao longo de duas ou três semanas. E atenção com a rega, porque em pleno sol o substrato seca muito mais rápido.
Que 5 plantas aguentam melhor o sol direto?
1. Palmeira de Madagáscar (Pachypodium lamerei)

Apesar do nome, não é uma palmeira nem um cacto: é uma suculenta da família Apocynaceae. O seu tronco engrossado armazena água e está eriçado de espinhos longos, rematado por um penacho de folhas estreitas que lhe dá esse ar exótico. Na sua Madagáscar natal atinge vários metros de altura; em vaso cresce tão devagar que pode acompanhar-te anos no mesmo canto da varanda.
- Luz: sol direto, quanto mais melhor.
- Rega: escassa. Deixar secar por completo entre regas e reduzir muito no inverno.
- Segurança: dupla precaução. Os espinhos do tronco são longos e ponteagudos, e segrega um látex irritante para pele e mucosas. Mantém-na fora do alcance de crianças e animais de estimação, e não a manipules sem luvas.
2. Sansevieria (Dracaena trifasciata)

Conhecida como espada-de-são-jorge ou planta serpente, a botânica reclassificou-a há uns anos dentro do género Dracaena. É uma planta de metabolismo CAM: abre os seus estomas de noite em vez de durante o dia, uma adaptação ao calor e à seca que reduz a perda de água e que está por trás da fama popular de que «dá oxigénio à noite». O de atrair a boa sorte ou afastar as más vibrações pertence ao folclore que a acompanha em várias culturas.
- Luz: tolera de sombra a pleno sol, desde que a aclimates com calma.
- Rega: moderada a escassa. O excesso de água apodrece-a.
- Animais de estimação: tóxica. Contém saponinas e a ASPCA classifica-a como tóxica para cães e gatos: pode causar vómitos e diarreia se ingerida.
3. Cacto monstruoso

«Monstruoso» (monstrose) não é uma espécie, mas sim uma forma de crescimento: uma mutação que faz com que os caules cresçam de maneira irregular e canelada, sem dois exemplares iguais. É habitual em cactos do género Cereus, e alguns chegam a dar flores noturnas e frutos aparentados com a pitaya.
- Luz: pleno sol. É onde melhor compacta e melhor cor adquire.
- Rega: muito escassa, e praticamente nula no inverno.
- Segurança: os espinhos são o risco real aqui, mais do que a toxicidade. Coloca-o onde não haja passagem nem brincadeiras de crianças ou animais de estimação.
4. Girassol (Helianthus annuus)

Ao contrário das outras quatro, o girassol é uma anual: semeia-se, floresce e termina o seu ciclo na mesma estação, por isso planta-se a partir da semente todos os anos. E uma curiosidade que quase ninguém sabe: o heliotropismo, esse seguir o sol, fazem-no os girassóis jovens. Quando a flor amadurece, fica a olhar fixamente para leste.
- Luz: pleno sol, sem discussão.
- Rega: regular e generosa enquanto cresce; é das poucas desta lista que pede água a sério.
- Floração: entre 70 e 100 dias desde a sementeira, com o verão como estação estrela.
- Animais de estimação: não tóxico. Helianthus annuus figura como planta não tóxica para cães e gatos na lista da ASPCA.
5. Agave

Os agaves são suculentas de roseta originárias da América, e a mais conhecida em jardinagem é a Agave attenuata, chamada pescoço de cisne ou agave do dragão pela curva que o seu caule floral desenha. É apreciada porque, ao contrário de quase todas as suas parentes, carece de espinho terminal. Combinam maravilhosamente com outras suculentas e com plantas de porte tropical.
- Luz: pleno sol e muitas horas.
- Rega: escassa. Necessita de substrato muito drenante.
- Animais de estimação: tóxico. O género Agave aparece na lista de plantas tóxicas da ASPCA para cães e gatos; além disso, a sua seiva é irritante ao contato. Manipula-o com luvas.
Qual escolho para a minha varanda ou terraço?
Em resumo: sansevieria se queres esquecer-te dela e não tens animais de estimação soltos; cacto ou agave se a tua varanda é um forno e regas pouco; girassol se te apetece cor de estação e não te importas de o semear todos os anos. E se convivem crianças ou animais com acesso aos vasos, o girassol é o único dos cinco sem problemas de toxicidade ou espinhos.
Seja qual for, lembra-te da aclimatação gradual: quase todos os fracassos com «plantas de sol» vêm de passar da sombra para o meio-dia de julho num só dia.
[colecoes 3]Também te pode interessar