Problemas com Plantas Suculentas
As suculentas ou crasas agrupam famílias muito distintas (echeverias, sedums, crassulas, senecios, haworthias) que partilham uma estratégia: armazenar água nas suas folhas carnudas para sobreviver à seca. Daí surgem os seus dois problemas universais, que são sempre os mesmos: água a mais e luz a menos. Aqui ficam os problemas mais comuns das suculentas e como os resolver.
Folhas moles e translúcidas

É o sintoma que mais confunde, porque se parece com o da sede e significa o contrário. Quando a folha se sente mole, aguada e algo transparente, a planta recebeu mais água do que pode armazenar e os seus tecidos rebentaram por dentro.
Como sei se tem falta de água ou excesso?
Pelo toque, e a regra é simples: enrugada mas firme significa sede, por isso regue. Enrugada ou inchada mas mole e translúcida significa excesso de água, por isso pare de regar. É o mesmo critério que se aplica à crassula, e enganar-se custa a planta.
Solução: deixar secar o substrato completamente
Espaçe as regas até que o substrato esteja completamente seco, não a meio, e esvazie o prato sempre. Use substrato para cactos e suculentas, que drena rápido, e vaso com furos, preferencialmente de barro.
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Base mole e podridão: como salvá-la
Se o caule ceder ao apertá-lo, escurecer ou cheirar mal, há podridão basal. É a principal causa de morte e avança depressa, mas quase sempre se pode resgatar a planta.
Como decapitar uma suculenta para a salvar?
Com uma faca ou x-ato bem afiado e limpo, corte a roseta saudável acima do tecido danificado. Verifique o corte: tem de sair branco e firme, sem manchas nem anéis escuros. Se sobrar algo, continue a subir até encontrar tecido limpo.
Por que é preciso deixar secar o corte antes de plantar?
Porque se o plantar húmido apodrece outra vez. Deixe secar o corte ao ar vários dias, até cicatrizar, e só então apoie-o sobre substrato seco e espere que crie raízes sem regar quase nada. É o passo que quase toda a gente salta.
Estica-se e perde a forma de roseta
Comprou-a compacta e perfeita, e ao fim de alguns meses o caule alongou-se, as folhas separaram-se e apontam para baixo. Isso é etiolação e é o problema número um das suculentas em interior.
Quanta luz precisa realmente uma suculenta?
Muito mais do que parece. Vêm de zonas de sol intenso, por isso um quarto que para nós é luminoso, para elas parece penumbra, e respondem esticando-se para procurar luz, sacrificando a forma compacta.
Pode recuperar-se uma suculenta já esticada?
A parte esticada não volta a compactar-se, por isso o prático é cortar a roseta de cima, deixar secar o corte uns dias e plantá-la de novo: recupera a planta bonita. E o toco que fica costuma rebentar pelos lados, dando várias plantas novas.
Solução: aclimatá-la ao sol de forma progressiva
Coloque-a no ponto mais luminoso que tiver, mas acostumando-a pouco a pouco ao longo de várias semanas: passar de repente da sombra para o sol direto queima-a.
Fica vermelha ou roxa: boas notícias
Um dia vê que a sua echeveria verde tem as bordas vermelhas ou que a planta inteira vira para o roxo, e assusta-se. Não está doente: é stress bom.
Por que muda de cor uma suculenta?
Porque com muita luz, calor ou frio produz pigmentos protetores que realçam vermelhos, roxos, laranjas e rosados que na penumbra não se veem. Os colecionadores provocam isto de propósito, e é sinal de que a planta está a receber a luz que quer.
Quando deixa de ser bom sinal e é queimadura?
Quando aparecem zonas esbranquiçadas, secas ou com aspeto de papel, sobretudo na face orientada para o sol. Isso já são queimaduras e são irreversíveis: ocorre quase sempre por passar da sombra para o sol pleno de repente, sem aclimatação gradual.
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Secam as folhas de baixo
Antes de se preocupar: na maioria dos casos é completamente normal. A suculenta produz folhas novas pelo centro e vai aposentando as mais velhas da base, que secam como papel e se soltam sozinhas.
Quando indica um problema e não envelhecimento?
Quando as folhas que caem estão moles em vez de secas, ou quando se perdem muitas de repente. Aí há um problema de rega ou de raiz que convém revisar.
Por que convém retirar as folhas secas da base?
Porque acumulam humidade, dificultam a ventilação e são o esconderijo favorito da cochonilha. Retirá-las de vez em quando previne meia dúzia de problemas de uma só vez.
Manchas, marcas e folhas partidas
As folhas das suculentas não se regeneram: qualquer marca que recebam fica para sempre. Convém saber distinguir o estético do que importa.
É preciso cortar uma folha batida ou marcada?
Não é preciso. Os golpes, o granizo, um toque ao transplantar ou o dedo que as manipulou deixam cicatrizes permanentes, mas a folha continua a funcionar e faz a fotossíntese igual. Removê-la é uma decisão estética, não sanitária: se tem mais superfície saudável do que danificada, vale a pena conservá-la.
Que manchas são sinal de doença?
Os pontos escuros que se espalham, as zonas moles e húmidas ou o mofo apontam para fungos, favorecidos pela humidade com pouca ventilação.
Solução: preventivos aplicados logo de manhã
Retire o afetado e alterne cavalinha com chorume de urtigas, aplicando-os logo de manhã para que a planta seque durante o dia.
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Cochonilha e outras pragas
A cochonilha algodonosa é a sua praga estrela e esconde-se exatamente onde não se olha: nas axilas das folhas, no centro da roseta e sob as folhas secas. A cochonilha de raiz vive no substrato e não é detetada até ao transplante.
Como tratar a cochonilha numa suculenta?
Retire os focos visíveis com um cotonete e aplique terra de diatomáceas sobre o substrato, que além disso trava formigas e caracóis no exterior. Pode usar sabão potássico, mas com duas precauções próprias destas plantas: dose suave e aplicação logo de manhã, para que não fique húmida nem lhe dê o sol com o produto em cima.
Como deteto a cochonilha de raiz?
Só ao transplantar. Se vir pó branco algodonoso entre as raízes, lave o torrão e mude todo o substrato.
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A água estagnada no centro da roseta
Um pequeno detalhe que causa muitas perdas: nas suculentas de roseta fechada, como as echeverias, a água que cai no centro fica estagnada entre as folhas e apodrece o coração da planta por dentro.
Solução: regar sempre pelo bordo do vaso
Regue diretamente no substrato ou por imersão breve, e nunca por cima da planta. Se lhe tiver caído água no centro, sopre ou incline o vaso para a esvaziar. E não as pulverize: não precisam e só favorece fungos.
Inverno: frio mais humidade
Muitas suculentas aguentam bem o frio se estiverem secas. O que não perdoam é a combinação de frio e substrato húmido, que provoca podridão quase certa.
Como distingo um dano por geada de um excesso de rega?
É difícil, e aí está a armadilha: a geada rebenta as células da folha e a deixa mole e aguada, com um aspeto muito parecido ao da rega excessiva. A pista é o contexto, se houve geadas recentes, e que o dano por frio costuma afetar de repente toda a planta exposta.
Solução: reduzir a rega e abrigar da chuva
Regue muito pouco de novembro a fevereiro, abrigue da chuva continuada as que estiverem no exterior e não deixe água no prato.
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As suculentas são tóxicas?
Depende de qual, e aqui convém ser preciso porque suculenta não é uma família botânica mas sim um grupo de plantas muito diversas. Muitas são seguras, como as haworthias, os sedums ou as echeverias. Mas outras muito comuns são tóxicas para cães e gatos segundo a ASPCA: a árvore-de-jade (Crassula ovata), o senécio ou colar de pérolas, a kalanchoe e o aloé vera. E as eufórbias suculentas libertam látex irritante. Se convive com animais de estimação, verifique a espécie concreta antes de assumir que é inofensiva, porque numa mesma prateleira de crasas pode haver dos dois tipos.
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