Sabia que as pragas de afídeos são uma das de maior importância económica do mundo? Se quer saber o que são, porque são um problema e como aprender a combatê-los de forma caseira e natural, não perca este artigo, no qual lhe contamos que inseticida para afídeos usar, entre outros.
O que são os afídeos?
Taxonomicamente, os afídeos enquadram-se na ordem Hemiptera, subordem Sternorrhyncha e família Aphididae. Têm um tamanho entre 1 e 3 mm e apresentam uma ampla gama de cores, já que, mesmo dentro da mesma espécie, os afídeos podem ter tonalidades diferentes dependendo da sua alimentação. Na maioria das espécies, o seu corpo é constituído por um par de sifões no abdómen, por onde segregam feromonas de alarme e substâncias de reserva, a cauda, que serve para a sua identificação, e abaixo desta, o ânus, por onde expulsam a melada.

Dentro da mesma espécie, existem dois tipos de formas adultas:
– Formas ápteras, ou seja, sem asas, que apresentam o tórax e o abdómen unidos. A sua multiplicação é muito rápida e ocorrem quando a colónia é pequena e/ou dispõe de abundantes nutrientes.
– Formas aladas, que têm o tórax e o abdómen diferenciados. A sua principal missão é a dispersão e surgem quando as colónias são grandes e há aglomeração ou não dispõem de alimento suficiente. Se observar esta forma nas suas culturas, é provável que estas venham a sofrer desta praga mais tarde.
O sucesso da proliferação dos afídeos reside na sua reprodução, já que, além de apresentarem reprodução sexual, também podem reproduzir-se por partenogénese, sem necessidade de fecundação em épocas favoráveis, formando densas colónias. Algumas das espécies mais comuns na península e que podemos encontrar em quase todo o tipo de culturas são o afídeo verde do pessegueiro Myzus persicae, o afídeo negro do algodão Aphis gossypii e o afídeo negro da fava, Aphis fabae.
Porque é que são um problema?
Há várias razões pelas quais estes curiosos insetos podem ser um problema para o correto desenvolvimento das culturas. A principal é a sua alimentação, já que são espécies muito polífagas, ou seja, nutrem-se de muitas espécies de plantas diferentes. Graças ao seu aparelho bucal picador-sugador alimentam-se da seiva das plantas, debilitando-as, além de induzir a deformação dos rebentos pela injeção de saliva, o que diminui significativamente a fotossíntese. Os afídeos filtram a seiva retendo proteínas e eliminando o excesso de água e açúcar em forma de melada, o que nos leva ao seguinte problema, o aparecimento de formigas, que cuidarão e defenderão o afídeo para que este as providencie com esta substância açucarada e a proliferação de fumagina, um fungo que se desenvolve em caules, frutos e rebentos, causando um problema principalmente estético.
Por último, existe a certeza de que os afídeos são vetores de doenças virais e fitoplasmáticas, como o vírus da tristeza dos citrinos.
Como identificá-los?

A melhor maneira de combater qualquer praga ou doença é observando as nossas plantas pelo menos uma vez por semana. Para isso, devemos verificar a face superior e inferior de 5 a 10 folhas e prestar especial atenção aos rebentos, que são o alvo de muitas espécies de pragas e, claro, são os preferidos dos afídeos, pois são a parte mais tenra da planta.
Como já referimos, se observarmos formas aladas de afídeo na nossa planta, provavelmente surgirá uma colónia em poucas semanas. Outra pista característica é a deformação e/ou curvatura das folhas, onde, com toda a probabilidade, encontraremos muitos afídeos se observarmos a face inferior.
A presença de formigas e de fumagina são também indícios deste ataque.
Inseticida caseiro para afídeos
Existem várias alternativas aos pesticidas convencionais para combater esta praga de forma ecológica e natural, entre as quais destacaremos:
- Controlo manual, se a pressão for baixa.
- Preparações com óleos essenciais estão a dar bons resultados para o controlo de afídeos. Exemplo: para 1 litro de inseticida, adicionar 5 ml (cerca de 50 gotas) de óleo essencial de eucalipto (Eucalyptus globulus) = 0,5%, 3 ml de óleo vegetal de soja = 0,3% e 902 ml de água. Esta mistura, aplicada 2 vezes por semana via foliar, diminuirá a pressão de afídeos nas nossas plantas.
- Os extratos cítricos dão muito bons resultados quando combinados com sabão potássico, no entanto, estas substâncias podem atrair as formigas.
- Conservar fauna auxiliar, já que existem numerosos organismos que são inimigos naturais do afídeo, como por exemplo as joaninhas, crisopas, sírfidos e afidiídeos…
- A vida presente num solo adubado com húmus de minhoca também servirá para reequilibrar o ecossistema e aumentar os inimigos naturais.
Inseticida contra o afídeo
– O chorume de urtiga também é um ótimo tratamento preventivo para esta e muitas outras pragas. Pode aprender a fazê-lo de forma caseira ou obtê-lo já preparado na nossa loja.
– O sabão de potássio também demonstrou eficácia na redução de afídeos em numerosos estudos. Pode encontrar aqui sabão de potássio.
– Controlo das formigas, já que protegem o afídeo dos seus inimigos naturais, além de os transportarem para outras partes da planta não colonizadas. Aprenda como controlá-las no nosso artigo formigas nas plantas.
Como vê, há muitas formas de controlar as pragas de afídeos de forma sustentável, sem necessidade de utilizar químicos que destroem e desequilibram os ecossistemas, afetando a nossa saúde e a do planeta. Por isso, recomendamos um uso responsável de qualquer produto fitossanitário.
Referências:
Andorno, A. V. (2012). Avaliação do sistema planta hospedeira-hóspede alternativo como estratégia para o controlo biológico de afídeos (Hemiptera: Aphididae) em sistemas de produção hortícola em culturas protegidas (Dissertação de Doutoramento, Faculdade de Ciências Exatas e Naturais, Universidade de Buenos Aires).
Bartual, J., Lozoya, A., & Valdés, G. (2000). Avaliação da eficácia de pesticidas químicos e alternativos no controlo de afídeos em romãzeiras.
Castresan, J. E., Rosenbaum, J., & González, L. A. (2013). Estudo da efetividade de três óleos essenciais para o controlo de afídeos em pimentão, Capsicum annuum L. Idesia (Arica), 31(3), 49-58.
Muñoz, L., & La, C. Hortas urbanas, agricultura ecológica/orgânica.
Torres, C., & Gerding, M. (2004). Crisopa: inseto benéfico para o controlo de afídeos. Informativo INIA Quilamapu.
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