Como e quando fertilizar plantas

Adubar plantas é uma das tarefas mais importantes para as manter saudáveis, fortes e com bom desenvolvimento. Embora a água, a luz e o substrato sejam básicos, os nutrientes também desempenham um papel essencial. Uma planta pode sobreviver durante algum tempo sem adubação, mas se o substrato se esgotar, começará a mostrar sinais de fraqueza: folhas amarelas, crescimento lento, caules finos, pouca floração ou frutos escassos.

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A adubação não consiste em adicionar fertilizante sem controlo. Cada planta tem necessidades distintas de acordo com a sua espécie, tamanho, época do ano, tipo de substrato e local onde cresce. Adubar demasiado pode ser tão prejudicial como nunca adubar, porque o excesso de sais ou nutrientes pode danificar as raízes e bloquear a absorção de água.

Por isso, o mais importante é entender quando adubar, que tipo de adubo usar e como aplicá-lo corretamente. Com um plano simples e bem ajustado, as plantas aproveitam melhor os nutrientes e crescem de forma mais equilibrada.

Por que é necessário adubar as nossas plantas?

As plantas precisam de nutrientes para desenvolver raízes, folhas, caules, flores e frutos. Na natureza, estes nutrientes são renovados de forma contínua graças à decomposição de folhas, restos vegetais, microrganismos e matéria orgânica. Num vaso ou floreira, esse ciclo é muito mais limitado.

Cada vez que regamos, parte dos nutrientes do substrato são lavados. Além disso, à medida que a planta cresce, consome as reservas disponíveis. Por isso, com o passar do tempo, o substrato perde fertilidade e deixa de cobrir todas as necessidades da planta.

A adubação ajuda a repor esses nutrientes. O azoto favorece o crescimento de folhas e caules. O fósforo intervém no desenvolvimento de raízes, flores e frutos. O potássio melhora a resistência geral da planta e ajuda em processos relacionados com a floração, frutificação e tolerância ao stress.

Também existem nutrientes secundários e micronutrientes, como cálcio, magnésio, ferro ou zinco, que são necessários em menor quantidade, mas continuam a ser importantes. Uma carência pode notar-se na cor das folhas, na força do crescimento ou na qualidade da floração.

Adubar não é acelerar a planta de forma artificial. Bem feito, serve para acompanhar o seu ciclo natural e dar-lhe recursos quando realmente precisa.

Quando se devem adubar as plantas?

A melhor altura para adubar depende do ritmo de crescimento. Como regra geral, as plantas precisam de mais nutrientes quando estão ativas: emitem folhas novas, desenvolvem raízes, florescem ou produzem frutos.

Em contrapartida, durante os períodos de repouso ou crescimento lento, a adubação deve ser reduzida. Se uma planta não estiver a crescer, não pode aproveitar bem os nutrientes. Nesse caso, o excesso pode acumular-se no substrato e prejudicar as raízes.

Primavera e Verão

A primavera e o verão são as estações mais importantes para a adubação. Com mais luz, temperaturas mais amenas ou quentes e maior atividade vegetal, muitas plantas entram na sua fase de crescimento mais intensa.

Na primavera, convém começar com uma adubação progressiva. Não é preciso aplicar grandes doses desde o primeiro dia. É melhor observar se a planta começa a emitir rebentos novos e ajustar a frequência de acordo com a sua resposta.

No verão, muitas plantas continuam a crescer, a florescer ou a frutificar. As plantas de horta, aromáticas, ornamentais de flor e plantas em vaso costumam agradecer um aporte regular. Ainda assim, é preciso ter cuidado em dias de muito calor. Não convém adubar uma planta stressada por seca, calor extremo ou falta de água.

O ideal é adubar quando o substrato estiver ligeiramente húmido e a planta estiver em boas condições.

Outono

No outono, muitas plantas reduzem a sua atividade. Os dias ficam mais curtos, as temperaturas baixam e o crescimento costuma ser mais lento. Nesta época, a adubação deve ser ajustada.

Nem sempre é preciso deixar de adubar de repente. Algumas plantas continuam ativas durante parte do outono, sobretudo em climas amenos. Nestes casos, pode-se aplicar uma adubação mais moderada, evitando fertilizantes muito ricos em azoto se a planta se prepara para o repouso.

O excesso de azoto no outono pode estimular rebentos tenros que depois sofrerão com o frio. Por isso, em plantas de exterior, costuma ser melhor priorizar um cuidado do solo com matéria orgânica, composto maduro ou cobertura morta natural.

O outono é uma boa altura para melhorar a qualidade do substrato, não para forçar um crescimento que a planta já não necessita.

Inverno

No inverno, a maioria das plantas reduz muito o seu crescimento. Muitas plantas de exterior entram em repouso e muitas plantas de interior crescem mais devagar devido à menor quantidade de luz.

Nesta época, o mais recomendável costuma ser pausar a adubação ou reduzi-la ao mínimo. Adubar por rotina durante o inverno pode provocar acumulação de nutrientes, pontas queimadas, raízes danificadas ou crescimento fraco.

Há exceções. Algumas plantas de interior continuam ativas se receberem boa luz e temperatura estável. Também existem espécies que florescem no inverno e podem precisar de um aporte suave. Ainda assim, a dose deve ser menor que na primavera ou verão.

Se uma planta não está a crescer, não a adubes por hábito. Observa primeiro o seu estado, a luz disponível e a época do ano.

Como adubar as plantas

Adubar corretamente é simples se seguires uma ordem. Não se trata apenas de escolher um produto e aplicá-lo. Antes é preciso avaliar o tipo de planta, o substrato, a estação e o estado geral da cultura.

Escolhe o adubo adequado

O primeiro passo é escolher um adubo adaptado à planta. Não precisa do mesmo uma planta verde de interior que uma planta de flor, um cato, uma aromática ou uma hortaliça.

Para plantas de folha, costuma interessar um adubo equilibrado ou algo mais rico em azoto. Para plantas de flor ou fruto, convém um adubo que acompanhe a floração e a produção, com presença adequada de fósforo e potássio.

Em culturas biológicas, podes usar opções como composto maduro, húmus de minhoca, adubos orgânicos líquidos, guano, extratos vegetais ou fertilizantes naturais formulados para cada tipo de planta. Estes adubos não só fornecem nutrientes, como também ajudam a melhorar a vida do substrato.

O melhor adubo não é o mais forte, mas sim o mais adequado para cada planta.

Prepara a planta

Antes de adubar, verifica o estado da planta. Se estiver fraca por falta de rega, excesso de água, pragas, raízes danificadas ou falta de luz, o adubo não resolverá o problema principal.

Uma planta stressada pode absorver pior os nutrientes. Por isso, antes de fertilizar, convém retirar folhas secas, verificar a humidade do substrato e certificar-se de que a planta está em condições de aproveitar o aporte.

Se o substrato estiver completamente seco, rega primeiro de forma moderada e espera um pouco antes de aplicar adubo líquido. Isto reduz o risco de danificar raízes sensíveis.

Mede a dose

Um dos erros mais comuns é aplicar mais quantidade do que o necessário. Mais adubo não significa mais crescimento. Uma dose excessiva pode queimar raízes, secar pontas de folhas ou provocar manchas.

Lê sempre a dose recomendada do produto e, se tiveres dúvidas, aplica menos quantidade. Em plantas sensíveis, jovens ou recém-transplantadas, é melhor usar doses suaves.

Com adubos líquidos, mede bem a quantidade e dilui-a em água. Com adubos sólidos ou granulados, reparte a dose sem a concentrar num só ponto. Com composto ou húmus, aplica uma camada moderada e mistura-a ligeiramente com a parte superior do substrato se a planta o permitir.

Aplica de forma uniforme

O adubo deve ser distribuído de forma homogénea para que as raízes possam absorvê-lo sem concentrações excessivas. Em vasos, evita colocar o fertilizante pegado ao caule. É melhor aplicá-lo à volta, sobre a zona onde se desenvolvem as raízes.

Em plantas de exterior, reparte o adubo à volta da base, sem o amontoar junto ao tronco. Depois, rega suavemente para ajudar a que os nutrientes se integrem no substrato.

Também convém manter uma frequência estável. É preferível adubar pouco e de forma regular durante a época ativa do que aplicar grandes quantidades de forma pontual.

É o mesmo adubar plantas de interior e exterior?

Não, não é exatamente o mesmo. As plantas de interior e exterior têm necessidades distintas porque vivem em condições diferentes.

As plantas de interior costumam crescer em vaso, com um volume limitado de substrato. Por isso dependem mais da adubação que recebem. No entanto, também costumam ter menos luz do que uma planta de exterior, por isso o seu crescimento pode ser mais lento. Isto significa que necessitam de nutrientes, mas com doses controladas.

As plantas de exterior, em contrapartida, podem estar no solo ou em vaso. Se estiverem plantadas na terra, as suas raízes têm mais espaço para procurar nutrientes. Além disso, o solo pode ser enriquecido com composto, cobertura morta e matéria orgânica. Se estiverem em vaso no exterior, as suas necessidades assemelham-se mais às de uma planta de interior, embora com mais exposição ao sol, chuva e mudanças de temperatura.

No interior, o principal risco é adubar demasiado quando a planta não recebe luz suficiente. No exterior, o risco costuma estar em aplicar fertilizante em momentos de stress, seca, calor extremo ou frio.

A regra mais útil é observar a planta e adaptar a adubação ao seu crescimento real. Se produz folhas novas, flores ou frutos, pode precisar de apoio. Se estiver parada, fraca ou em repouso, convém rever primeiro as suas condições antes de adicionar nutrientes.

Adubar bem não consiste em seguir uma rotina fixa todo o ano. Consiste em dar a cada planta o que precisa, no momento adequado e com uma dose razoável. Assim o crescimento será mais saudável, o substrato manter-se-á fértil e as plantas terão melhores condições para se desenvolverem durante toda a estação.